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Por Paula Sefer.

Tantas pessoas passaram pela minha vida. Incontroláveis desilusões. Era como se estivesse trancada em um quartinho cheio de livros mofados e discos de vinil. Um quartinho sem chave. Recebia algumas visitas, gostava e receber visitas, e algumas delas até tentavam abrir a porta… mas sempre em vão. Sozinha. Já tinha me conformado quando você apareceu. Escancarando passagens e deixando entrar pouco a pouco algum tipo de luz e ar puro.

Queria te fazer ser um monge-cavaleiro templário. Mas não iria conseguir.

Olha bem pra mim então, olha no fundo dos meus olhos. Me dá a sua mão, encosta no meu peito e ouve meu coração fodido – todo furado e ainda batendo. Não temos escolha. Nossos corações não param. Os filhos da puta nunca param de bater, de espancar nossos peitos, que continuam doidos e, do nada, sem menos esperar, pulam nas mãos de alguém. Nossos corações são como uma maldição sem cura. Nunca param. 

Então não tenta parar, pois só faz doer mais. Não tenta parar. Porque eu te entendo. Sei sobre a bola de espinhos rasgando o teu peito, sobre a confusão, a dor, a falta de ar e a perda de chão deixando sem saber pra onde ir. Sei sobre nada mais importar, sobre o mundo ficar pequeno e perder o sentido. Você também vai sobreviver. É forte como eu, nada vai te deixar no chão. E se deixar, estarei aqui para te puxar pra cima, te abraçar e tentar limpar as feridas.  Pode ser que você vá embora, nunca se sabe pra onde essa vida puta e louca quer nos levar. Não importa. Você existe.

Vem descobrir que não há ninguém além de nós, estamos sozinhos. 

A falta de coragem fode com o mundo. Derrota todos com facilidade. O mundo é cheio de covardes – com suas desculpas para termos fodido nossas vidas. Eles tentam nos convencer que foi necessário, que fizeram as escolhas certas em nome da comodidade e do cagaço de perder tudo. Depois, quando entopem-se de bens, quando envelhecem, quando olham para trás, se dão conta de que perderam a vida. Arrependimento é o sentimento mais inútil. De nada adianta andar pra frente olhando pra trás. O melhor que pode acontecer é desabar em um buraco e morrer lá, choramingando que deveria ter olhado pra frente. Eu precisava de você. 

Eu acredito em você. E queria entender porque.

Porque nós escolhemos essa vida.

Sem amor. Assim que temos vivido… sem amor. 

Nega o amor que tentam te dar com medo de perdê-lo. Medroso, confuso e perdido. Você precisa de outros. Dispensáveis, que mantém à sua volta porque precisa ser louvado o tempo todo. Cuidado com o louvor. Cuidado com mentiras, porque elas cairão todas de uma vez na sua cabeça, te esmagando e te sufocando. Você não terá pra onde fugir, pra onde olhar, por quem gritar, porque os fracos nunca permanecem quando o céu desaba. 

Pensa no que te faz respirar, no que te faz criar as manhãs mais líricas da tua vida, é o que tem dentro do teu coração que nunca para. Para de gelar teu sangue, para de cortar tua circulação. Pára! Coragem, você precisa não ter medo do fracasso, não ter medo de voar, de se atirar ao poço mesmo sem saber o que te espera no fundo. 

Viva de verdade, viva na verdade. Seja livre. 

Temos que abrir nossos braços para o destino. Não podemos fugir dele.

Por Paula Sefer.

Tantas pessoas passaram pela minha vida. Incontroláveis desilusões. Era como se estivesse trancada em um quartinho cheio de livros mofados e discos de vinil. Um quartinho sem chave. Recebia algumas visitas, gostava e receber visitas, e algumas delas até tentavam abrir a porta… mas sempre em vão. Sozinha. Já tinha me conformado quando você apareceu. Escancarando passagens e deixando entrar pouco a pouco algum tipo de luz e ar puro.

Queria te fazer ser um monge-cavaleiro templário. Mas não iria conseguir.

Olha bem pra mim então, olha no fundo dos meus olhos. Me dá a sua mão, encosta no meu peito e ouve meu coração fodido – todo furado e ainda batendo. Não temos escolha. Nossos corações não param. Os filhos da puta nunca param de bater, de espancar nossos peitos, que continuam doidos e, do nada, sem menos esperar, pulam nas mãos de alguém. Nossos corações são como uma maldição sem cura. Nunca param. 

Então não tenta parar, pois só faz doer mais. Não tenta parar. Porque eu te entendo. Sei sobre a bola de espinhos rasgando o teu peito, sobre a confusão, a dor, a falta de ar e a perda de chão deixando sem saber pra onde ir. Sei sobre nada mais importar, sobre o mundo ficar pequeno e perder o sentido. Você também vai sobreviver. É forte como eu, nada vai te deixar no chão. E se deixar, estarei aqui para te puxar pra cima, te abraçar e tentar limpar as feridas.  Pode ser que você vá embora, nunca se sabe pra onde essa vida puta e louca quer nos levar. Não importa. Você existe.

Vem descobrir que não há ninguém além de nós, estamos sozinhos. 

A falta de coragem fode com o mundo. Derrota todos com facilidade. O mundo é cheio de covardes – com suas desculpas para termos fodido nossas vidas. Eles tentam nos convencer que foi necessário, que fizeram as escolhas certas em nome da comodidade e do cagaço de perder tudo. Depois, quando entopem-se de bens, quando envelhecem, quando olham para trás, se dão conta de que perderam a vida. Arrependimento é o sentimento mais inútil. De nada adianta andar pra frente olhando pra trás. O melhor que pode acontecer é desabar em um buraco e morrer lá, choramingando que deveria ter olhado pra frente. Eu precisava de você. 

Eu acredito em você. E queria entender porque.

Porque nós escolhemos essa vida.

Sem amor. Assim que temos vivido… sem amor. 

Nega o amor que tentam te dar com medo de perdê-lo. Medroso, confuso e perdido. Você precisa de outros. Dispensáveis, que mantém à sua volta porque precisa ser louvado o tempo todo. Cuidado com o louvor. Cuidado com mentiras, porque elas cairão todas de uma vez na sua cabeça, te esmagando e te sufocando. Você não terá pra onde fugir, pra onde olhar, por quem gritar, porque os fracos nunca permanecem quando o céu desaba. 

Pensa no que te faz respirar, no que te faz criar as manhãs mais líricas da tua vida, é o que tem dentro do teu coração que nunca para. Para de gelar teu sangue, para de cortar tua circulação. Pára! Coragem, você precisa não ter medo do fracasso, não ter medo de voar, de se atirar ao poço mesmo sem saber o que te espera no fundo. 

Viva de verdade, viva na verdade. Seja livre. 

Temos que abrir nossos braços para o destino. Não podemos fugir dele.

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